COMIC CON LISBOA: SESSÃO DE AUTÓGRAFOS COM DAVID RUBIN

David Rubin e a sua arte, neste caso um magnífico autógrafo

Na Comic Con 2018, que teve lugar em Lisboa, foi grande a afluência de público

Com a presença de David Rubin, desenhador espanhol, autor do álbum Beowulf, recentemente lançado pela novel editora Ala dos Livros. realizou-se no passado sábado, dia 8 de Setembro, na Artist’s Alley (Comic Con), uma animada sessão de autógrafos, da qual registamos algumas imagens.

Entretanto, Beowulf já ocupa posição honrosa no pódio das mais recentes edições portuguesas de BD distribuídas pela FNAC; e é uma das obras nomeadas na categoría “Best Adaptation from Another Medium” dos Prémios Eisner 2018.

David Rubin e o seu livro, na sessão de autógrafos

O REGRESSO DE BEOWULF

Sem grande aparato, mas posicionando-se já como uma válida aposta no efervescente meio editorial português de Banda Desenhada, a novel editora Ala dos Livros anuncia o seu 1º lançamento, aproveitando a vinda ao próximo COMIC CON, a realizar em Lisboa, nos dias 6 a 9 de Setembro, do autor galego David Rubín.

Trata-se de um dos mais destacados elementos da pujante escola contemporânea espanhola, que tem dado cartas na BD mundial e começa também a ser devidamente apreciada pelos leitores portugueses. Na sua estreia entre nós, David Rubín apresenta-se com uma obra de ressonâncias épicas, magnificamente ilustrada e colorida, cujas linhas mestras se inspiram num dos mais prodigiosos heróis da mitologia escandinava: Beowulf, o exterminador de monstros e outras criaturas malignas que povoam as fantásticas e milenares lendas dos povos nórdicos.

Aliás, é tal, ainda hoje, a celebridade de Beowulf que já foi foi objecto de várias versões cinematográficas, a mais recente (2007) realizada por Robert Zemeckis, com uma panóplia de efeitos especiais que rivaliza com as mais ambiciosas produções do género [imagem supra]. Nos anos 1970, Beowulf foi tema, também, de revistas de BD, das quais se destaca um título editado pela DC Comics, com desenhos de Ricardo Villamonte; outra artística versão é a do mestre italiano Franco Caprioli, publicada na revista inglesa Look and Learn e, em Portugal, no Mundo de Aventuras (1975).

A obra de David Rubín, com um cunho de acentuada modernidade, é digna de ombrear com estas criações, não só pela concepção plástica e narrativa, como pelo vigor formal de um estilo que cativa irresistivelmente o olhar dos leitores, tendo-lhe valido a nomeação para os cobiçados Prémios Eisner do corrente ano.

Nota do Editor: SANTIAGO GARCÍA e DAVID RUBÍN uniram os seus talentos para recriar o mito de Beowulf, o qual, inspirado num poema épico com o mesmo título, sobreviveu durante mais de mil anos e se tornou um dos pilares da literatura inglesa, tendo influenciado várias gerações de autores, desde J. R. R. Tolkien e Seamus Heaney a inúmeros argumentistas de Hollywood.

O poema narra as aventuras de BEOWULF, um herói escandinavo com força sobre-humana, por terras que actualmente pertencem à Dinamarca e à Suécia. Um monstro, Grendel, atemoriza durante mais de uma década o reino dos Daneses, devorando homens e mulheres até à chegada de Beowulf, que se propõe salvá-los.

A versão que García e Rubín nos apresentam segue fielmente o argumento e a estrutura em três actos do texto original, não pretendendo ser revisionista, irónica ou pós-moderna, mas captando o ambiente e os detalhes mais importantes, transmitindo a poderosa ressonância épica e melancólica dos versos originais, através dos recursos formais da banda desenhada contemporânea.

Os autores pegam, pois, numa história milenar, dando-lhe uma perspectiva moderna, mas mantendo-a respeitosamente fiel à fonte original.