O REGRESSO DE BEOWULF

Sem grande aparato, mas posicionando-se já como uma válida aposta no efervescente meio editorial português de Banda Desenhada, a novel editora Ala dos Livros anuncia o seu 1º lançamento, aproveitando a vinda ao próximo COMIC CON, a realizar em Lisboa, nos dias 6 a 9 de Setembro, do autor galego David Rubín.

Trata-se de um dos mais destacados elementos da pujante escola contemporânea espanhola, que tem dado cartas na BD mundial e começa também a ser devidamente apreciada pelos leitores portugueses. Na sua estreia entre nós, David Rubín apresenta-se com uma obra de ressonâncias épicas, magnificamente ilustrada e colorida, cujas linhas mestras se inspiram num dos mais prodigiosos heróis da mitologia escandinava: Beowulf, o exterminador de monstros e outras criaturas malignas que povoam as fantásticas e milenares lendas dos povos nórdicos.

Aliás, é tal, ainda hoje, a celebridade de Beowulf que já foi foi objecto de várias versões cinematográficas, a mais recente (2007) realizada por Robert Zemeckis, com uma panóplia de efeitos especiais que rivaliza com as mais ambiciosas produções do género [imagem supra]. Nos anos 1970, Beowulf foi tema, também, de revistas de BD, das quais se destaca um título editado pela DC Comics, com desenhos de Ricardo Villamonte; outra artística versão é a do mestre italiano Franco Caprioli, publicada na revista inglesa Look and Learn e, em Portugal, no Mundo de Aventuras (1975).

A obra de David Rubín, com um cunho de acentuada modernidade, é digna de ombrear com estas criações, não só pela concepção plástica e narrativa, como pelo vigor formal de um estilo que cativa irresistivelmente o olhar dos leitores, tendo-lhe valido a nomeação para os cobiçados Prémios Eisner do corrente ano.

Nota do Editor: SANTIAGO GARCÍA e DAVID RUBÍN uniram os seus talentos para recriar o mito de Beowulf, o qual, inspirado num poema épico com o mesmo título, sobreviveu durante mais de mil anos e se tornou um dos pilares da literatura inglesa, tendo influenciado várias gerações de autores, desde J. R. R. Tolkien e Seamus Heaney a inúmeros argumentistas de Hollywood.

O poema narra as aventuras de BEOWULF, um herói escandinavo com força sobre-humana, por terras que actualmente pertencem à Dinamarca e à Suécia. Um monstro, Grendel, atemoriza durante mais de uma década o reino dos Daneses, devorando homens e mulheres até à chegada de Beowulf, que se propõe salvá-los.

A versão que García e Rubín nos apresentam segue fielmente o argumento e a estrutura em três actos do texto original, não pretendendo ser revisionista, irónica ou pós-moderna, mas captando o ambiente e os detalhes mais importantes, transmitindo a poderosa ressonância épica e melancólica dos versos originais, através dos recursos formais da banda desenhada contemporânea.

Os autores pegam, pois, numa história milenar, dando-lhe uma perspectiva moderna, mas mantendo-a respeitosamente fiel à fonte original.

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